O que realmente queremos comemorar? O que estamos discutindo? Qual nosso papel na história geral da cidade, da arte, do artesanato? Porque afinal, todo mundo tem seu papel nesse passo a passo da vida.
O que tenho sentido nesses 7 anos que estou na feira é que não temos muito direcionamento para o artesanato urbano: falamos em economia solidária, cooperativismo e outras formas de auto gestão mas, e casos como o nosso, onde somos 70 produtores individuais que enfrentam os mesmos problemas com organização, divulgação, crédito, maquinária?
Somos urbanos e isso já tem um significado por vezes triste e irônico: no meio de tante gente, somos solitários guerreiros, cavaleiros andantes acompanhados somente por seu fiel escudeiro.
Quem nos apoia? Não somos comunidades carentes, não somos nem comunidades.
Somos artistas solitários em nossos ateliers, muitos em apartamentos, outros em suas casas alugadas em bairros afastados. Nossa produção é mais cara, mais difícil, o custo de vida é mais alto, a condução, a luz, o aluguel, os impostos e não temos aliados nem auxilio. E ainda temos que ser arrojados, ter site, blog, cartão, garantia, discurso…
Por que não somos organizados? Mas, o que é essa organização? Será que ela nos serve? Ou para nós as saídas são outras?
Pra mim, autora e quem escreve e assina esse post, é exatamente isso que estamos discutindo neste aniversário.
* Não deixem de ler as páginas sobre os assuntos da feira: histórico geral, números, os outros, sobre a chuva, etc.